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General diz que homossexual assumido não pode ficar nas Forças Armadas

Enviado por Thiago Meirelles em 04/02/2010 – 9:35 AM10 Comentários

Indicado para uma cadeira no Superior Tribunal Militar (STM), o general Raymundo Nonato de Cerqueira Filho disse nesta quarta-feira que as Forças Armadas não devem aceitar a presença de gays e sugeriu que eles procurem outras atividades, longe dos quartéis. Ele afirmou que a tropa se recusaria a acatar ordens de um homossexual. As declarações foram dadas na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) do Senado, que aprovou sua nomeação para o STM.

Referindo-se aos gays como “indivíduos desse tipo”, Cerqueira Filho disse que eles não inspiram respeito dos soldados:

” Não é que o indivíduo seja criminoso, e sim o tipo de atividade. Se ele é assim, talvez haja outro ramo de atividade que ele possa desempenhar “

- O indivíduo não consegue comandar. A tropa fatalmente não vai obedecer. Isso está provado. Não é que o indivíduo seja criminoso, e sim o tipo de atividade. Se ele é assim, talvez haja outro ramo de atividade que ele possa desempenhar.

Para general, gays só podem ser aceitos se mantiverem segredo

O oficial admitiu a existência de gays nos quartéis, mas disse que eles só devem ser aceitos se mantiverem a opção sexual em segredo:

- Nós sabemos que existem, mas não sabemos quem. Se ele mantém a dignidade, honra a sua farda e não há conhecimento oficial, não vejo problema. No entanto, não é compatível um indivíduo assim com o trabalho nas Forças Armadas.

Como ministro do STM, ele atuará em casos como o dos sargentos presos em 2008 após assumirem uma relação homoafetiva . Cerqueira Filho disse apoiar a prisão dos ex-sargentos Laci Araújo e Fernando de Figueiredo.

Na mesma sabatina, o almirante Álvaro Luiz Pinto disse tolerar a companhia de gays, mas desde que mantenham a “dignidade da farda”. Pinto disse não se opor à presença de gays, mas impôs condições:

- Não tenho nada contra, desde que mantenham a dignidade da farda, do cargo e do trabalho. Se ele manter (sic) sua dignidade, sem problema nenhum. Se for indigno, ferindo a ética, aí eu não seria a favor.

Veja também:

  1. União entre pessoas do mesmo sexo
  2. Livro infantil aborda homossexualidade e gera polêmica na Austrália
  3. Sobre a pinta
  4. Manbears
  5. Não ande para tras!

10 Comentários »

  • Pois é, mesmo com o passar do tempo nós gays vamos sempre deparar com esse tipo de polêmica, acredito que se vc é homossexual e pretende seguir a carreira militar sabendo que la dentro existem pessoas como esse general porque se arriscar? a quanto tempo existe o regime militar? nós gays nos fortalecemos muito com o passar dos anos, e se um cara como ele da a cara a tapa pra falar que nós não temos competência pra um dia ser como ele é porque não há punição pra esse tipo de declaração, alem do preconceito sexual há o social, qualquer ser humano pode ser o que quiser, basta querer, agora enquanto o preconceito e homofobia não forem considerados como crime, a melhor coisa a fazer é ficar longe dessas instituições.

  • Ricky68 disse:

    Eta… preconceito besta!!!

  • Deivid disse:

    É realmente um preconceito besta.. mas um ambiente militar não será confortavel pra trabalhar com todo esse preconceito e rigidez deles.
    Acho até válido isso de não se assumir, você é você e não precisa mostrar pra Deus e o mundo o que você gosta de fazer na sua vida pessoal.

  • Ricky68 disse:

    Jobim minimiza declaração de general sobre presença de gays nas Forças Armadas. OAB classifica posição de ‘lamentável’

    O ministro da Defesa, Nelson Jobim, minimizou nesta quinta-feira as declarações do general Raymundo Nonato de Cerqueira Filho, candidato a uma vaga no Superior Tribunal Militar (STM), que disse que as Forças Armadas não devem aceitar a presença de gays. Jobim afirmou que a presença de homossexuais na carreira militar já está sendo debatida e, segundo ele, a posição do general não vai influenciar a decisão do Ministério da Defesa. ( Ouça a declaração do militar )

    - Essa manifestação feita pelo general que foi inquirido no Senado para o Supremo Tribunal Militar não influenciará os debates internos porque isso não diz respeito ao tribunal que ele agregará – disse Jobim.

    O presidente nacional da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), Ophir Cavalcante, classificou o episódio como lamentável:

    - É lamentável que este tipo de discriminação ainda continue existindo nos dias de hoje nas Forças Armadas brasileiras – afirmou Ophir.

    Segundo ele, o que se deve exigir de um militar é disciplina, treinamento e a defesa do país, nos termos da Constituição, independentemente de sua opção sexual.

    “A defesa do país tem que ser feita por homens e mulheres preparados, adestrados e treinados para este fim, independente da opção sexual de cada um”, declarou.
    ONG diz que declaração é ‘estapafúrdia’ e revela conservadorismo

    O grupo Arco-Íris de Cidadania LGBT (lésbicas, gays, bissexuais e transgêneros) também criticou o militar. A presidente da ONG, Gilza Rodrigues, afirmou que a declaração é “estapafúrdia” e revela como o Exército ainda é conservador.

    - É um disparate completo. Lésbicas, gays, travestis, transexuais e bissexuais podem e devem atuar em quaisquer atividades profissionais, inclusive a militar. Fico surpresa e indignada ao ouvir declarações como esta de um representante do alto escalão das Forças Armadas, com indicação para ocupar uma cadeira no Superior Tribunal Militar. É preocupante – afirmou Gilza Rodrigues.

    As declarações do general, que afirmou que a tropa se recusaria a acatar ordens de um homossexual, foram dadas na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) do Senado, que aprovou sua nomeação para o STM. Referindo-se aos gays como “indivíduos desse tipo”, Cerqueira Filho disse que eles não inspiram respeito dos soldados.

    Na mesma sabatina, o almirante Álvaro Luiz Pinto disse tolerar a companhia de gays, mas desde que mantenham a “dignidade da farda”. Pinto disse não se opor à presença de gays, mas impôs condições:

    - Não tenho nada contra, desde que mantenham a dignidade da farda, do cargo e do trabalho. Se ele manter (sic) sua dignidade, sem problema nenhum. Se for indigno, ferindo a ética, aí eu não seria a favor.

    Fonte: O Globo

  • Neto disse:

    Afff… Uma coisa, eu trabalho em ambiente militar e conheço pessoas que são gays assumidos e trabalham muito melhor que muitos heteros que exercem a mesma função no local em que servem, além de manter um ambiente de trabalho muito mais agradável em relação a organização, os homossexuais existentes são exemplos a serem seguidos por todos!!! O patriotismo está além de uma farda ou um posto que uma pessoa possa exercer, patriotismo é uma questão de amor ao país e fazer o que for preciso para defender a pátria. Assim julgo a atitude e as palavras do general Raymundo Nonato de Cerqueira Filho antipatriota uma vez que ele está se colocando contra cidadãos de seu próprio país. Não concordo com a indicação desse tipo de pessoas para os tais cargos!!!
    E as organizações militares têm muito mais com que se preocupar…
    Militarismo é muito mais do que uma opção sexual!!! [prontofaley]

  • Ricky68 disse:

    Farda e homossexuais: incompatibilidade ou pré-conceito?

    As declarações do general Raymundo Nonato de Cerqueira Filho, candidato a uma vaga de ministro no Superior Tribunal Militar, demonstrando sua opinião contrária ao engajamento de homossexuais no Exército Brasileiro, geraram polêmica e diversos protestos de entidades LGBT e de órgãos como a OAB. A discussão foi reacendida.

    À tona nacionalmente pela última vez em 2008, com o caso dos namorados e então sargentos Laci Marinho e Fernando Alcântara, o debate põe em questão a suposta incompatibilidade entre orientação sexual e farda, a problemática da homofobia, a posição do Estado como ente não discriminador e o pensamento da sociedade sobre o tema.

    O Código Penal Militar diz que é crime “praticar, ou permitir o militar que com ele se pratique ato libidinoso, homossexual ou não, em lugar sujeito a administração militar”. Não há, portanto, punição ao militar que, fora do quartel e não estando em serviço, assuma sua homossexualidade. O vínculo homoafetivo entre militares também não é punível.

    Na ótica sociológica, o exército é uma Instituição Total, isto é, funciona como uma fôrma que, isolando indivíduos, molda-os num padrão que nem sempre se coaduna com o modelo social. São Instituições Totais, também, os conventos e os manicômios. Nos quartéis, o embate entre esses “padrões sociais mais amplos” e o modelo estabelecido pela instituição é que gera a contradição. O ícone do viril comandante parece não se compatibilizar com o do homossexual. Será?

    Apesar de não ser um comum do povo, o general falou como se o fosse. Não sejamos hipócritas, ele foi o espelho do senso comum brasileiro. E, convenhamos, os discursos de “igualdade”, “direitos humanos” e “diversidade”, dos quais inclusive sou defensor, despencam ineptos frente à força cultural que, por exemplo, fez os senadores que o sabatinavam não relevarem a opinião do general e o aprovarem por unanimidade. Tais discursos se fragilizam, ainda, em confronto com a moral vigente que divide opiniões e, lá no fundo, faz a maioria repelir a imagem de um militar, defensor do país, efeminado.

    É bem verdade que o general se equivocou ao duvidar da capacidade de comando dos homossexuais. A orientação sexual não lhes diminui o comando ou a liderança. A história nega, solidamente, a alegação do oficial. Mas é certo, porém, que o exercício militar requer postura, conduta ética e profissionalismo, características presentes em homens e mulheres, independentemente de sua orientação sexual. A meu ver, atos de corrupção e de abuso de poder mancham tanto, ou mais, a “dignidade da farda” quanto um ato libidinoso, homossexual ou não, em serviço. São todos espécimes de crimes e de desrespeito às regras postas que, voluntariamente, foram aceitas pelos que se decidiram pela farda.

    Acredito que a sociedade precisa avançar muito mais no debate sobre a aceitação das diversidades, entre elas a sexual, para que os protestos que ora se levantam não sejam apenas “politicamente corretos” e se tornem verdades conscientemente defendidas, geradoras de efeitos concretos. Porque, no nível em que está, essa defesa é pirotécnica e não será capaz de mudar a realidade, como no exemplo dos ex-sargentos homossexuais que, de tanto serem perseguidos e punidos, literalmente, pediram para sair.

    Fonte: O Globo (05/02/2010)

    Artigo do leitor Silvio Teles

  • Leumus disse:

    Desse jeito não se faz um Brasil melhor.

    Atrasados e retrógrados… “que procurem outras atividades” ..Pois não são qualificados e “não inspiram” confiança.

  • giovanni disse:

    nna verdade o atual código militar se refere a atos libidinosos de qualquer espécie e não necessariamente homossexuais algumas forças armada como de israel e holanda não fazem distinção na realidade as forças armadas holandesas fizeram uma campanha explicitamente convidando homossexuais a se enganjarem históricamnet na grécia o amor entre soldados era estimulado como forma de intensificar o cuidado e a solidariedae entre eles vale lembrar o caso de alexandre o grande e recentemente foi feito um documentário sobre homossexuais na segunda guerra mundial e o documentário claramente apóia não haver diferenças entre soldados homossexuais e hetrossexuais e de fato existe diferença entre homossexuais e heterossexuais no exercício de suas carreiras se não fosse o preconceito da cultura dominante?

  • soares75 disse:

    Prefino ignorar e não comentar pois não vale a pena. Pessoa com mente atrasada assim não devem ser ouvidas.

  • linotava disse:

    Mais uma prova de como o Brasil ainda tem muito que caminhar no aspecto ideológico. Claro, o comentário do general é preconceituoso mas é um reflexo do que é a mentalidade do Brasileiro médio.

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